Viagem Aventura > Cunha

Quando?
14 e 15/agosto/2010
Onde?
Cunha (SP), na estrada entre Guaratinguetá (SP) e Paraty (RJ)

Os posts vão ficar meio fora da ordem, pois vou escrevendo sobre o que está mais fresco na memória e depois dou um jeito nos outros, ok?! Todo mundo de acordo?

Cunha. Já exploramos a região de Cunha em outras andanças. A primeira vez que estive por lá foi entre 2000 e 2002, nem me lembro mais. Na época, cheguei na cidade sem muita informação e me maravilhei com o que encontrei por lá: os ateliês de cerâmica noborigama e raku (técnicas japonesas), a gastronomia, as pousadas aconchegantes, as estradinhas bucólicas, as refrescantes cachoeiras e o parque estadual, onde muitas caminhadas eram possíveis.
Mas foi uma viagem rápida.
Depois disso voltei outras duas vezes, uma com meu amor, em meio às férias, subindo pela estrada Cunha–Paraty (quando enfrentamos uma estrada-parque enlameada e coberta pela neblina, morrendo de medo do nosso carrinho 1.0 desbarrancar serra abaixo); e outra com os amigos trilheiros, essa há poucos anos atrás, para fazer as desejadas trilhas no Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Cunha. Dessa vez choveu tanto, mas tanto, que fomos obrigados a fazer a Trilha do Rio Bonito em ritmo de maratona. Mas tivemos muitas histórias pra contar depois (leia aqui).

Bucólico lago do parque com o centro de visitantes.

Agosto, nenhuma trilha programada ainda e estávamos já em polvorosa. Foi quando a Neusa, nossa amiga de andanças, convidou todos os amigos chegados para um fim de semana na pousada do irmão, a Pousada Candeias. Nada melhor!! Além de passar o fim de semana com amigos queridos num lugar aconchegante, ainda poderíamos fazer novamente as trilhas do parque, agora coletando os desejados carimbos no Passaporte Trilhas de São Paulo.
Claro que aceitamos logo e cara e já fomos organizando como seria essa comemoração.
Alguns amigos partiram pra Cunha na sexta-feira à noite mesmo, outros deixaram pra ir no sábado pela manhã.
Eu, o maridão e nosso amigo-carona Jorge, com seu inseparável violão, saímos de SPcity no sábado bem cedo, encontrando com amigas no primeiro posto de abastecimento da Rod. Ayton Senna. Lá tomamos um rápido café e seguimos viagem juntos.
A rodovia SP-171, que liga Guaratinguetá a Paraty e é acesso para Cunha, estava quase toda em obras, já raspada para receber novo asfalto, o que tornou nossa viagem beeeem trepidante. (Mas da próxima vez que voltarmos lá já estará novinha em folha.)
Aprontamos uma correria quando chegamos à pousada, pois estávamos atrasados para o café da manhã maravilhoso que os anfitriões tinham preparado carinhosamente pra todos os amigos da Neusa. Nem deu muito tempo de degustar as delícias caseiras e tampouco apreciar os jardins da pousada. Logo estávamos todos nos carros a caminho do Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Cunha. Um grupo de mais ou menos 22 pessoas.
Depois de sair da SP-171 a caminho do parque, são 20 km em estrada de terra em ótimo estado. A estrada estava parecendo até um tapete e ainda havia alguns veículos de manutenção tapando buracos. Estão cuidando bastante da região (ainda mais depois das enchentes e desmoronamentos do início do ano), pois é o turismo que movimenta tudo por lá.

Totem na entrada do parque e a galera reunida no centro de visitantes.

O PESM – Núcleo Cunha não cobra entrada dos visitantes, mas é preciso agendar as trilhas com antecedência, pois há limite de visitantes para as trilhas, já que não dispõem de muitos monitores para acompanhar.
Já no parque, fomos apresentados aos nossos monitores, encontramos algumas amigas que só conhecíamos pelo Orkut e que tinham agendado a trilha para o mesmo dia que a gente, fizemos um rápido alongamento e seguimos para a Trilha do Rio Bonito (7,6 km), classificada como difícil no passaporte. Tínhamos trilhado esse mesmo caminho da vez anterior debaixo de chuva e dessa vez não foi diferente, apesar que era só um chuvisquinho se comparado à tempestade da outra vez.
Depois do Programa Trilhas de São Paulo, vários parques investiram na manutenção, demarcação e emplacamento de suas trilhas. A do Rio Bonito está muito bem conservada e os guias trataram de mostrar muitas plantas, paisagens e curiosidades que não me lembro de ter visto da outra vez (talvez porque estivesse correndo no meio do mato).

Rio Bonito, com suas pedras douradas.

Passamos muitas vezes por lamaçais que se formaram com a chuva fina, ultrapassando raízes escorregadias, pedras, leitos de riachos, até cruzarmos com o Rio Bonito, que merece o nome por conta das pedras cintilantes que recobrem seu leito, refletindo as luzes dos raios de sol e o verde da mata. Paramos para o lanche nas pedras de uma cachoeira do rio Bonito e alguns mais corajosos aproveitaram para dar um mergulho (a temperatura no parque era 14 ºC).
Depois de um rápido descanso, continuamos a pernada, atravessando o rio e seguindo seu percurso para adentrar novamente na mata atlântica.
Além da beleza da trilha, o passeio com o grupo de amigos foi uma curtição! Como sempre, nesses passeios já começamos a agitar quais serão as próximas andanças e saídas para cinema e afins.
Fizemos até uma enquete sobre os melhores filmes de ficção que o pessoal tinha assistido e bolamos uns encontros cinematográficos para revê-los.
Ao final da trilha, já na estradinha no interior do parque que também leva à Trilha das Cachoeiras (programada para o domingo), todos já estávamos varados de fome e apertamos o passo para carimbar nossos passaportes no centro de visitantes.

Trilha do Rio Bonito.

Por sugestão da Neusa (que acabou ficando na pousada, de tantas vezes que já tinha feito a trilha), tínhamos encomendado comida no Fogão de Lenha, um restaurantezinho caseiro a meio caminho de volta, com comida gostosa a preço honesto. Chegamos famintos e fomos recebidos com o gostoso aroma da lenha queimando no fogão e as delícias caipiras nos esperando quentinhas. Comemos bolinho de arroz, frango ensopado com batatas, carne de porco, truta frita, farofa de cenoura, couve refogada, arroz, feijão e uma pimentinha lascada que aqueceu nossos esqueletos. E, como não poderia faltar, a pinguinha da barrica deixou todos muito alegres.😛

Voltamos à pousada para tomar banho e nos arrumar para a festança da noite, que, ficamos sabendo na última hora, seria acompanhada de uma deliciosa paella caipira preparada pela nossa anfitriã Quica (proprietária da pousada) e também pelos vinhos e queijos que cada um dos amigos tinha levado.
Depois de desfrutar do chuveiro quente e da lareira dos chalés, todos se juntaram no salão principal, que já estava decorado com bandeirinhas à meia luz, arranjos de flores silvestres nas mesas, bexigas (que os amigos Paulo e Claudia não esqueceram de levar) e ao som gostoso dos músicos Marcelo e Marcela, acompanhados pelo nosso amigos Jorge ao violão. Foi uma noite inesquecível entre os amigos! Como bem falou uma amiga (Marta): “foi um exagero sensorial”.
O cheiro gostoso da paella sendo preparada com legumes frescos, pedacinhos de carne e frango selecionados, e o arremate de pinhão! Tudo realmente incrível.
Perdemos a conta de quantas garrafas de vinho bebemos e do que comemos naquela noite, até que todos se juntaram para cantar parabéns à Neusa com dois bolos de aniversário!
Depois disso, só uma ótima noite de sono para todos nos macios travesseiros e sob o quentinho edredon.

Festança que fizemos na Pousada Candeias, com direito a vinho, música e comilança.

Nossa chef Quica e sua magnífica paella caipira.

No domingo cedo, após um maravilhoso café-da-manhã, alguns de nós foram embora e somente sete foram para o parque fazer a segunda trilha no parque, a Trilha das Cachoeiras, com 14,4 km ida e volta, dos quais fizemos a metade de carro, pois tínhamos de voltar para o almoço na pousada. Estava mais frio que no sábado e os termômetros do parque marcavam 10 ºC. Achamos que ninguém ia ter coragem de entrar na cachoeira.
Estacionamos nossos carros ao lado da primeira cachoeira do caminho, o Cachoeirão do Rio Paraibuna, onde fizemos as primeiras fotos da trilha.
Depois rumamos sempre subindo, em meio à mata densa, por uma estradinha encharcada da chuva que caíra de madrugada. Sorte que não estava chovendo mais.
Depois de alguns quilômetros percorridos, iniciamos uma longa descida e ao fim dessa, saímos numa trilha bem marcada pela esquerda, atravessando o Rio Ipiranguinha por uma estreita ponte, onde, claro, paramos para mais fotos. Nosso monitor, o Lauro, bem tranquilo e um pouco tímido, nos contava sobre algumas plantas e histórias da região.
Transpondo a ponte adentramos uma mata mais fechada, onde pequenos jardins de mini-samambaias, musgos, liquens e cogumelos adornavam as árvores e nos instigaram a filosofar sobre a beleza da natureza, sobre sua energia inesgotável e como éramos abençoados por estar lá, usufruindo de tudo isso.

Trilha das Cachoeiras. Cachoeirão do Rio Paraibuna, subida pela estradinha no meio da mata e uma das quedas do Rio Ipiranguinha.

Logo chegamos à primeira cachoeira, que na verdade é a quarta (de baixo pra cima, pois estávamos na parte baixa) das que compõem a sequência de quedas do Rio Ipiranguinha. O poço dessa queda ficava meio escondido pelas árvores, então decidimos subir para a próxima, também com poço raso, mas maravilhosa. Vários “uaus” e fotos e promessas de voltar com sol para aproveitar o banho nas cachoeiras. Subimos mais um pouco na trilha e alcançamos a segunda queda, menorzinha que a anterior e batizada por nós de “piscininha das crianças” ;D
De lá já conseguíamos avistar todo o vale em frente à cachoeira, com árvores floridas em meio à mata. Muitas e muitas fotos e subimos para a primeira (e última) queda do Rio Ipiranguinha, mais inclinada e com um poço convidativo, que só o Jorge (doido) teve coragem de encarar com o frio enregelante que fazia. Quem não se seduziu pela água “convidativa” aproveitou para lanchar, fazer montes de fotos e admirar a vista do vale lá embaixo, com sua imensidão verde.
Voltando ao centro de visitantes, ganhamos mais um carimbo em nosso passaporte e percebemos que teríamos de deixar para outro dia a Trilha do Rio Paraibuna, curtinha e fácil nos seus 1,7 km (ida e volta), pois não tínhamos mais tempo antes do almoço da turma na pousada.

Sequência de quedas do Rio Ipiranguinha. Imagino num dia de sol!!!

Saímos do parque satisfeitos com mais essa pernada, com os carros e as botas cheios de barro e nos juntamos aos que ficaram na pousada para um gostoso almoço tardio, em plenas 16h!
Conversamos bastante com nossos dedicados anfitriões, Quica e Toninho, trocamos figurinhas com os amigos que passaram a manhã descansando, tomamos nosso banho quentinho, arrumamos nossas tralhas e retornamos para São Paulo ao cair da tarde, reenergizados com tanto verde e com as ótimas companhias. (E precisando de um regime depois de comer tantas delícias ;D)

Agora vamos ter de voltar à Cunha para carimbar a trilha que nos faltou e também conhecer a vista da Pedra da Macela, que já sei que é maravilhosa, mas que não conseguimos ainda visitar.
Espero que seja logo ;D

Link para o site do Trilhas de São Paulo.

— Infos –

Cunha
Distância: aprox. 250 km a partir de São Paulo
Como chegar: Rod. Ayrton Senna/Carvalho Pinto (SP-070) até Guaratinguetá, saída pela SP-171 (Rod. Paulo Virgínio), por 47 km até a cidade. Ou pela Rod. Dutra (BR-116) até Guaratinguetá, depois pegando a mesma saída mencionada.

Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Cunha
site
Estrada Municipal do Paraibuna, km 20 (terra) – Cunha, SP
(12) 3111-1818 / 3111-2353
pesm.cunha@fflorestal.sp.gov.br
Ingresso: a entrada é gratuita; para as trilhas deve-se fazer agendamento prévio.
Horário: 8h00 às 17h00
Trilhas:
Trilha das Cachoeiras (14,4 km)
Trilha do Rio Bonito (7,6 km)
Trilha do Rio Paraibuna (1,7 km)

Hospedagem:
No parque só há alojamento para pesquisadores. O ideal é hospedar-se em Cunha, onde a infra-estrutura hoteleira é grande.
Ficamos na maravilhosa Pousada Candeias.
Para mais opções de hospedagem, restaurantes e atrações, visite o site da Cunhatur.

3 Responses to “Viagem Aventura > Cunha”


  1. 1 Renata Lima 27/08/2010 às 12:38 am

    Fabi, querida. Já vivi essa história de morrer de medo de desbarrancar estrada abaixo, com meu carrinho 1.0, na estrada-parque enlameada e cheia de neblina. Mas tudo vale muito a pena, nesse encanto de cidade.
    Adorei!

  2. 2 Camila Fernandes 28/08/2010 às 2:41 pm

    Cunha é tão gostoso… nhum… schlep!!!

    Comidas deliciosas, friozinho bom. Só as trilhas eu não fiz ainda, né? Vou ler as dicas com calma depois!

    Beijo!


  1. 1 Agosto 2010 – Cunha « É Nóis na Trilha! > blog Trackback em 27/08/2010 às 2:52 pm

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Aquariana de fevereiro de 1975. Ilustradora e designer gráfica. Fotógrafa amadora nas horas vagas. Amante dos animaizinhos e do turismo ecológico. Freqüentadora de teatros, cinemas, baladas, etc, etc. Como diria minha irmã, "uma quase especialista em um zilhão de coisas". O espírito inquieto não combina com a inércia. O mote é conhecer lugares novos, provar novos sabores, falar com gente interessante, ter novas experiências e compartilhar aqui. Conhecimento é o exercício permanente de provar novas coisas.

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